sexta-feira, 8 de julho de 2011

Especialização “JUVENTUDE NO MUNDO CONTEMPORÂNEO”




A Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude oferece a pós-graduação: Juventude no Mundo Contemporâneo, sob a coordenação da Casa da Juventude Pe. Burnier - CAJU.

Esta especialização surge das demandas e dos desafios que emergem na prática cotidiana com os/as jovens, nas atividades educativas formais e não formais. Atuar com os/as jovens exige competência conceitual e metodológica que assegure conhecimento sobre as dimensões sociais, culturais, econômicas e políticas da condição juvenil. A Pós-Juventude considera a cultura juvenil e o jovem como protagonista social, buscando novos referenciais para a garantia de direitos e a construção de “um outro mundo possível”.

OBJETIVOS
Aprofundar o conhecimento teórico, prático e científico sobre a juventude contemporânea.
Possibilitar debates e reflexões das práticas metodológicas e das políticas públicas, capacitando profissionais para a promoção de estratégias de atuação junto aos/às jovens.
Desenvolver estudos e pesquisas sobre Juventude, tendo em vista a produção científica acerca da temática juvenil.
LOCAL
Goiânia – Goiás / Brasil

DESTINATÁRIOS
Profissionais vinculados às áreas de educação, serviço social, psicologia, sociologia, direito, agentes de pastoral, gestores de políticas públicas, escolas e projetos sociais, Conselheiros/as Tutelares e de Direito, e outras áreas afins ao campo juvenil.

INVESTIMENTO
R$ 4.260,00 - 12 parcelas de R$ 355,00

DURAÇÃO
Módulo I – 09 a 27 de janeiro de 2012
Módulo II - 02 a 26 de julho de 2012
Módulo III - 07 a 25 de janeiro de 2013
FREQUÊNCIA E CARGA HORÁRIA
Aulas em período integral: 2ª a 6ª feira, das 08:00h às 12h e das 14h às 18h. E aos sábados, das 08:00h às 12h. De acordo com a Resolução nº 01/2001 do Conselho Nacional de Educação, a frequência mínima é de 75% (setenta e cinco por cento). Nota mínima 7,0 (sete).
Carga horária: 410 horas

DISCIPLINAS
Juventude Comunicação e Linguagem 30h
Contemporaneidade e Juventude 20h
O/a Educador/a de Adolescentes e Jovens 20h
Gênero e Etnia 28h
História dos Jovens na América Latina 30h
Instituições e Formação de Jovens 28h
Juventude e Religião 20h
Metodologia de Pesquisa em Juventude 28h
Metodologia do Trabalho com a Juventude 28h
Políticas Públicas de Juventude 28h
Psicologia da Adolescência e Juventude 28h
Saúde do Adolescente e da Juventude 30h
Socialização de monografia, artigo 16h
Sociologia da Juventude 28h
Seminário 12 anos da Pós-Juventude 24h
Monografia/Artigo 24h
Visitas de Campo

CORPO DOCENTE
Alexandre Piero (Especialista em Juventude)
Carmem Lúcia Teixeira (Mestra em Ciências da Religião)
Flávio Munhoz Sofiati (Doutor em Ciências Sociais)
Hilário Henrique Dick (Doutor em Letras)
Janira Sodré Miranda (Doutora em História)
Liciana Caneschi (Doutoranda em Psicologia)
Janaina Firmino (Especialista em Juventude)
Fabiane Asquidamini (Especialista em Juventude)
Renato Souza Almeida (Mestre em Ciências Sociais)
Rezende Bruno de Avelar (Doutorando em Sociologia)
Vanildes Gonçalves dos Santos (Mestra em Ciências Sociais)
Walderes Lima Brito (Doutorando em Sociologia)
Solange dos Santos Rodrigues (Mestra em Sociologia)
Gardene Leão de Castro Mendes (Mestra em Educação)
Wolney Fernandes de Oliveira (Mestre em Cultura Visual)
Convidados/as

VAGAS
O curso oferece 40 vagas

REQUISITOS PARA INSCRIÇÃO
- Duas fotos 3x4
- Preenchimento da ficha de inscrição
- Cópia autenticada do diploma de graduação ou declaração de conclusão do curso
- Cópia autenticada da carteira de identidade e CPF
- Cópia de Comprovante de endereço
- Cópia do Curriculum Lattes
- Pré-projeto: tema, objeto, justificativa, objetivo geral, objetivos especifico, referencial teórico e bibliográfico, metodologia, cronograma. Fonte: Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5, mínimo de 06 páginas e máximo 10.
- Ficha de inscrição (www.casadajuventude.org.br), link da pós-juventude

INSCRIÇÕES
Até 15 de outubro de 2011
Taxa de inscrição: R$ 40,00
Inscreva-se aqui
CONTA BANCÁRIA
Banco do Brasil - Favorecido: AJEAS – Especialização Juventude - Agencia: 3311-1 Conta Corrente: 526792-7 Enviar cópia do comprovante de pagamento da inscrição para a Secretaria.

SELEÇÃO
Período: 16 e 19/10/2011 Resultado: 20/10/2011

Secretaria de Pós-Juventude
11ª. Avenida, 953, Setor Universitário. CEP- 74605-060 - Goiânia - Goiás - Brasil
Fone: (62) 4009-0339 / Fax: (62) 4009-0315
E-mail: posjuventude@casadajuventude.org.br
Site: www.casadajuventude.org.br

COORDENAÇÃO
Casa da Juventude Pe. Burnier – CAJU – Goiânia - GO
27 anos de experiência na Formação, Assessoria e Pesquisa sobre Juventude

COORDENADOR DO CURSO:
Ms. Lourival Rodrigues da Silva

SECRETÁRIA:
Erika Pereira dos Santos

PROMOÇÃO
REDE BRASILEIRA DE CENTROS E INSTITUTOS DE JUVENTUDE
Apoio e serviço às organizações de juventude através da formação, assessoria e pesquisa.

Material de Divulgação

Documentos da Pós em Juventude:

Documentos para alunos/as da Pós-Graduação em Juventude

Vídeo: A voz da Juventude Goiana

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Quem diria... logo na Argentina


A luta pelos direitos e pela diversidade sexual vem a anos sendo construída no Brasil e em outros países da America Latina... e foi justamente num dos países tido como mais conservadores em termos de religião que foi aprovada a “Lei de União Civil”.
A Argentina se tornou o primeiro país da América Latina e o décimo do mundo a autorizar a União Civil entre pessoas do mesmo sexo. Após horas de debates os senadores argentinos numa votação de 33 votos a favor, 27 contra e três abstenções aprovaram o projeto. Luis Juez, da opositora Frente Cívica, optou por apoiar o governo porque, mesmo cristão, entende que "nem na Bíblia há um parágrafo onde Cristo fosse contra os homossexuais". Ele lembrou que o código civil é "uma instituição laica, em um país laico".

sexta-feira, 2 de abril de 2010

JUVENTUDE E CULTURA PÓS-MODERNA

Lourival Rodrigues da Silva
Os/as jovens contemporâneos estão vivendo na crista da onda por causa da grande quantidade de jovens no Brasil. Todos estão atentos ao tema: Estado, sociedade, universidades, ONGs, partidos, igrejas, etc. são diversos interesses: medo da violência, necessidade de controle, necessidade de consumidores para o mercado, entender o comportamento, tê-los/as como aliados ideológicos, pesquisar por estar na moda... Estes interesses às vezes vêm carregados de um discurso ilusório de inclusão, consumo e diferenças.
As definições de juventude, ao longo da história, foram marcadas pelos paradigmas da forma de atuar com os jovens: muitos entendendo a juventude como período preparatório (escola); outros olhando a juventude como etapa problemática (conflitos, contenção); uns terceiros vendo a juventude como ator estratégico do desenvolvimento e um potencial que poderia ser amadurecido através de programas e projetos; e, por fim, a juventude cidadã encarada como sujeito de direitos que caminha para a autonomia. (ABRAMO, 2005 p. 20).
Os dados do inicio deste século apontavam que o perfil dos jovens brasileiros era de 21 milhões de adolescentes de 12 a 18 anos. Sendo que a juventude de 15 a 24 anos estaria na casa dos 34 milhões. Já os adultos jovens de 25 a 29 anos, categoria recente nos Brasil, seria de 13,8 milhões. Juntando jovens e adultos jovens (15 a 29 anos): 47 milhões (IBGE – 2000).
A Secretária Nacional de Juventude em seus documentos de preparação da Primeira Conferencia Nacional de Políticas Pública de Juventude divulgou que há hoje no Brasil 50,5 milhões de jovens na faixa etária de 15 a 29 anos. Sendo que 14,6 milhões moram em regiões metropolitanas. 25,4 milhões vivem em regiões não metropolitanas. 7,8 mil vivem em regiões rurais.
O Brasil vive desafios a serem enfrentados no que diz respeito as demandas e dívidas sociais com a juventude conforme os dados que se refere à educação temos hoje segundo a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicilio PNAD, 17,8 milhões de jovens estão na escola – sendo 4 milhões no Ensino fundamental, 8,3 milhões no Ensino Médio e 4,1 milhões no Ensino Superior. 11,5 milhões de jovens têm o Ensino Médio Completo. 6,4 milhões de jovens estão desempregados. Sendo que destes 4, 5 milhões não concluíram o ensino fundamental. 1,3 milhões de jovens são analfabetos (PNAD, 2003)
Quanto à situação ao emprego e trabalho 63 % dos jovens que trabalham não têm carteira profissional assinada (Instituto Cidadania, 2003). Dados da Unicamp, mostram que, em 1995, o desemprego atingia 13,9% dos jovens de 16 e 17 anos.
Os/as jovens enfrentam também o desafio das questões referentes a violência onde 63% dos/as jovens que vivem em regiões metropolitanas, têm a violência como maior problema para a juventude. Dos 70% do conjunto de mortes violentas entre os jovens de 15 a 24 anos, 39,2% são causados por acidentes de transito, homicídios. A taxa de homicídio entre jovens é duas vezes e meia maior que entre outros seguimentos etários. O índice entre jovens vitima de assassinato cresceu 81,6 % nos últimos 22 anos (UNESCO, 2002). Ao se considerar as pessoas jovens (com menos de 29 anos), o número de mortes violentas sobe para 35,6%. as vítimas preferenciais são do sexo masculino.
No entanto esses sujeitos buscam espaços de socialização em que possam se sentirem visibilizados e incluídos na sociedade. 28,1 % dos jovens participam de algum grupo (Ibase/polis, 2005). São 7 milhões de jovens que fazem ou querem fazer algum tipo de atividade em beneficio a sua comunidade (Instituto Cidadania, 2003).
A questão relacionada a família aponta também questões a serem levadas em conta sobre os/as jovens, pois dados apontam que 11,7 milhões de jovens vivem em famílias que não têm condições para satisfazer suas necessidades básicas (PNADA, 2003). Um quinto dos jovens tem filhos (Instituto Cidadania, 2003). 83 % dos jovens solteiros não pretendem sair ou vai esperar mais um pouco para deixar a casa dos pais (Instituto Cidadania, 2003).
Sobre as questões da cultura dados revelam que 85,8% dos jovens se informam por meio da televisão (Ibase/Polis, 2005). 78 % dos jovens nunca participaram da produção de informação em meios de comunicação (jornais, de escola, fanzines, TVs, rádios comunitárias, produção de vídeo, etc), (Ibase/Polis, 2005). 77,4 % dos jovens das classes D e E não sabem usar computador. Entre os jovens da classe A, essa taxa cai para apenas 12,5% (UNESCO, 2004).
Já a vivencia da sexualidade aponta também que 58% das meninas acham que a virgindade é importante e 63% dos meninos acham que é coisa do passado. 85% dos jovens são contra o aborto quando a mãe não desejar o filho. 18% consideram o homossexualismo uma doença e 30% dos jovens não gostariam de ter um homossexual como colega de classe. 47,1% dos jovens não gostariam de ter um homossexual como vizinho (UNESCO). Entre as meninas, “49% dizem não usar preservativo por manterem relações com quem confiam”. 25% se acham livres do risco de contrair o HIV (UNESCO, 2004).
Uma questão que se apresenta hoje é diferenciar o que é próprio do período etário juvenil e o que é fruto da atual sociedade. Especula-se que a juventude é uma presa fácil do mundo Pós-Moderno, e que estaria mais vulnerável às conseqüências destas transformações. O desafio é entender a cultura dentro deste momento de evolução tecnológica em que tudo tem um conteúdo visual e sonoro e que trafega por veículos e meios rápidos e que se tornam globais, impondo um mesmo padrão cultural e uma mesma matriz a todos/as.
O mundo atual é o tempo da comunicação e da informação. A realidade se apresenta como a era da informática, da civilização eletrônica, da imagem, do mundo da comunicação por vias virtuais. Essa nova era leva a juventude a construir seu imaginário dentro da cultura da imagem. Essas imagens são firmadas através de ícones e símbolos que se tornam mais expressivos a cada descoberta feita e desejada.
O padrão de consumo apresentado pela comunicação tem influência direta sobre a vida das pessoas, sobretudo da juventude. Os novos símbolos interferem na realidade em que os/as jovens se organizam e agem. As realidades, além de mais complexas, estão justapostas entre os fatos, as notícias, as particularidades e a fragmentação da sociedade. O mundo global coloca, através da Internet e suas redes de comunicação, uma infinidade de misturas de culturas, linguagens, códigos de comunicações e relações.
O mundo Pós-Moderno atua na cultura inculcando nos indivíduos que o importante para a comunicação é a pessoa se preocupar com sua imagem, aparecer e estar permanentemente preocupada com a sua autoconstrução. Esse modo de pensar e agir estão organizados e pensados para o individuo e, em especial, para o mundo juvenil. A mesma cultura de massa e de tecnologia não consegue garantir a todos/as o acesso ao saber, à cultura, ao lazer e ao desporto, pois a influência neoliberal prega um Estado mínimo, controlado pelo mercado.
Estado mínimo que faz com que este se ausente de seu papel de garantir os direitos básicos da população no que se refere aos serviços de segurança, saúde, transporte, lazer, educação, apresentando-se cada vez mais precários, insuficientes e mal distribuídos.
Os/as jovens têm, no seu horizonte, o desafio da busca do que lhe é desconhecido e ausente e a possibilidade do consumo se torna, para ele, uma janela de oportunidade. O consumo nunca descansa. Sempre surgem novos objetos desejáveis. A juventude se constituiu em um dos grupos que mais se sentem aguçados com a espera dos lançamentos do cinema, da TV, da informática. Eles/as acreditam e esperam, porque se identificam, reconhecem-se nela e no desejo que a propaganda cria.
Esse modelo econômico e midiático confunde os/as jovens, não lhes possibilitando diferenciar o que vem a ser desejo e o que são necessidades humanas. A mídia, aliada do mercado de consumo, desperta uma insatisfação que leva à exploração da vontade interna de ter o que o/a outro/a tem. Estimula a imitação de tudo que o/a outro/a possui. Causa o desejo mimético de ser o outro. Há quem diga que a comunicação educa para a mentalidade afirmativa – poder – superioridade; “eu narciso” num constante desejo de autoconstrução. Toda a sociedade e, em especial, os/as jovens, recebem a mensagem de que cada um dos seus membros tem a responsabilidade de se preocupar consigo mesmo (autocentramento).
A juventude inculca em seu sistema de compreensão e interação com o mundo um conjunto de satisfações pessoais. Quando não o consegue, experimenta uma insegurança generalizada. Para prevenir e impedir essa insegurança, a sociedade provoca um deslocamento da confiança nas relações de proximidade e intimidade para a relação técnica. Como resultado, há juventudes menos conceituais, analíticas e organizadas.
A cultura Pós-Moderna forja uma propaganda para que o indivíduo consuma o máximo possível. Nem todos/as os/as jovens, no entanto, conseguem ter acesso e condição de consumo como o mercado deseja. Cria-se, assim, nos jovens, uma ilusão de que tudo está à disposição de todos/as. Porém, pouquíssimos são aqueles/as que podem consumir tudo que ela propõe. A cultura midiática vende o que a sociedade está disposta a aceitar. É por essas razões que a juventude não pode ser deixada de lado na análise da comunicação, pois, por sua própria natureza, ela busca a curiosidade como elemento para se construir e se identificar socialmente.
Na temática da cultura Pós-Moderna o corpo ganha lugar de destaque, pois é por natureza um instrumento de comunicação. A etapa da juventude é um momento em que o corpo está cheio de vigor com capacidade de se expressar socioculturalmente. Sobre o corpo recai uma mensagem de interlocução constante, tornando-se um instrumento de comunicação visual. O tempo da juventude é entendido como potencialidades. Este tempo reflete diretamente em seus corpos. Com isso as pessoas adultas querem ter a vitalidade da juventude, desejam energia. Essa concepção de corpo juvenil está ligada à visão mecanicista de utilidade e capacidade. Ninguém quer ser velho ou incapaz. Hoje, tudo passa pela experiência, pela vivência dos sentidos e dos órgãos do corpo.
A sociedade moderna atua com a expectativa do estético. Investe no gosto da juventude, cria uma roupagem de modernidade e atua com propostas para que esse corpo esteja em evidência. No campo afetivo, a paquera, o “ficar” e as relações acabam sendo temporárias e sem compromissos. Os modos e os meios de produção geram sujeitos carentes e sem compreensão de sexualidade e afetividade. São aspectos reforçados pela cultura e pelas relações sociais. A psicologia evolutiva produz cultura, ritmos, espaços e símbolos da indústria cultural adultocêntrica. O corpo é máquina – horizonte do desejo da construção da identidade. O corpo juvenil é o que marca o tempo para satisfação dos desejos e das possibilidades do imaginário.
O corpo não pode ser reduzido ao horizonte do objeto do prazer e do disciplinamento de atitudes. Quando o prazer se torna um horizonte a ser conquistado pelos/as jovens e a sociedade moderna e pós-moderna impõe a forma de alcançá-los, provoca uma confusão na visão da juventude, fazendo crer que o gozo eterno não se encontra no cotidiano das relações, das descobertas, dos namoros ou dos afetos.
A juventude se constitui num mosaico de grande diversidade juvenil: raça, classe social e regionalização. Um rápido mapeamento da juventude urbana podemos encontrar diversas formas de socialização e seus grupos: torcidas organizadas, capoeiristas, jovens das igrejas (vários grupos e denominações), skaitistas, jovens punks, estudantes, trabalhadores/as, jovens em conflitos com a lei, meninos e meninas de em situação de rua, jovens portadores de deficiência, juventude do hip hop, jovens escoteiros/as, negros e negras, jovens feministas, LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais), roqueiros, jovens presentes nos grupos de teatro, de dança, poesia, música, jovens punks, adolescentes emos, metaleiros, underground, rappers. No entorno do urbano vamos encontrar também os jovens das zonas rurais/quilombola, ribeirinhos, indígenas, ciganos e ciganas, também identificados/as hoje como comunidades tradicionais.
As culturas, outrora consideradas rebeldes e opositoras, têm espaços legitimados nas tensões e reivindicações de demandas a partir de múltiplos discursos de participação juvenil. A diversidade juvenil ganhou capital simbólico que lhe deu reconhecimento de ordem estética, étnica, onde a exacerbação da singularidade se choca com a ilusão de inclusão.
Sempre que se pensa “nos jovens” as primeiras perspectivas que se apresentam são referentes a visibilidade social destes: tribos, bandos, rebeldes... O modo de vestir, circular, comportar e socializar desses sujeitos trazem demandas, linguagem, comunicação própria... A sociedade, através das instituições, quando não preparada para essa forma de visibilidade, reage com repressão, violência, condenação e estigmatização dos/as jovens.
Muitas instituições contribuem para que os/as jovens sejam vistos pela marca da violência e da vulnerabilidade, sendo condenados pela repressão ou por atitudes fundamentalistas (caso de algumas tendências religiosas). Por outro lado, ditando e restringindo o lugar da juventude (lazer, trabalho, cultura, saúde, escuta...), o estado não consegue garantir, por exemplo, escola próxima à moradia dos jovens.
As manifestações juvenis estão marcadas por expressões, pontos de disputas territoriais, contestação, encontros, conflitos e, sobretudo por relações de trocas. Neste território vão marcar suas reivindicações explicitas e implícitas de circulação, transporte, capacidade de consumo e busca de visibilidades.

REFERENCIA
1. ABRAMO, Helena Weldel. O uso das noções de adolescência e juventude no contexto brasileiro. In: FREITAS, Maria Virgínia. Juventude e adolescência no Brasil: referencias conceiturais. 2ª Edição. Ação Educativa, São Paulo, 2005.
2. CNBB, Conferencia dos Bispos do Brasil. Evangelização da Juventude. Doc. 85. Paulus, São Paulo, 2007.
3. ESCOBAR, Manuel Roberto, MENDONZA, Nydia Constanza. Jovens Contemporâneos: Entre la heterogeneidad y lãs desigualdades. Revista Nómadas. Instituto de estúdios Sociales Contemporâneos – Universidad Central. Buenos Aires, 2005.
4. PNADA, 2003, disponível em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/populacao_jovem_brasil/default.shtm
5. IBGE 2008 disponivel em http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/protabl.asp?z=pnad&o=3&i=P
6. Pesquisa UNESCO, divulg(PNADA, 2003).ada em setembro de 2004.

A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA JUVENTUDE

Lourival Rodrigues da Silva

Síntese do texto “A Construção Social da Juventude” - Lydia Alpizar eMarina Bernal. In:
Mulheres Jovens e Direitos Humanos. Manual de Capacitação em direitos humanos das mulheres jovens e a aplicação da CEDAW. EDLAC, Edição Brasileira, São Paulo. 2004.

Este é um texto com referencias feministas que trabalha com a corrente construtivista que se preocupa com a construção social da realidade – Tendo como perspectivas a questão de gênero, a etnia e as preferências sexuais e afetivas. As autoras defendem que a sociedade cria noções e conceitos que definem as pessoas, as situam em determinados lugares. – essa determinação diferencia a capacidade de decisão, autonomia e desenvolvimento. Nessa visão construtivista a pessoa deve ser ativa, dotada de potencialidades, capacidade para transformar, desconstruir e construir novas explicações sobre si e o mundo;

O artigo defende que a juventude foi explicada e entendida através das instituições: Igreja, Estado, Família, Escola e os meios de comunicação, acadêmicos e outros são fontes de produção e reprodução de discursos sobre a juventude. Destacando que o conhecimento cientifico legitimou as práticas e mecanismos de controle das pessoas jovens. Esse controle atua através da pesquisa como caminho para definir as relações de poder sobre os jovens. Afirma que as teorias sobre juventude estão carregadas de visões sobre o ser humano, a política, economia, e realidade social.

Visão psico-biológico
1. Vê a juventude como etapa do desenvolvimento psico-biológico. Cita Hall que tem a adolescência como transição dominada pela angustia, confusão e alterações psíquicas. Ana Freud que diz ser necessário fazer um controle dos impulsos da sexualidade do adolescente. Esta visão definiram a juventude como fenômeno universal: mudanças físicas, psicológicas, rebelião com a família de origem. Trazendo também Aberásturi que diz que a adolescência é período de contradições, confusão, dor e atritos com a família. Essas visões levam a um imaginário dos jovens como problema, etapa de crise, patologia e momento de risco ou perigo. Resultado da corrente positivista e funcionalista: onde o ser humano deve se desenvolver, a partir das suas condições físicas, hormonais... São essas condições que define se a juventude é normal ou anormal.

Visão da juventude como integração social
1. Entende que a juventude deve: adquirir valores, habilidades para a vida adulta integrada e produtiva. Para Erikson a adolescência é momento de aprendizagem, potencial de desenvolvimento e integração. Tendo a moratória – tempo permitido para, e defendendo ainda que as questões emocionais é que definem as identidades juvenis e que a escola, a família e o trabalho estão organizados para que os jovens possam adquirir esse status e se ajustar no padrão. Nesta corrente existem diversas formas de abordagem sobre a temática juvenil: sociológica – cultura juvenil, tribos urbanas, psicologia do desenvolvimento, jurídica, antropológica (jovens marginalizados com dificuldade de integração social, delinqüentes, pobres, negros...). muitas destas visões resultaram em políticas de readaptação social juvenil, de prevenção da delinqüência, de legislação, de ações repressivas, sustentadas por tipologias discriminatórias em relação: a raça, classes, escolaridade.

Visão do jovem como agente de mudança
1. Segundo as autoras, essa linha traz uma visão idealista dos jovens e que delega e deposita nos jovens as responsabilidade de mudanças dos problemas e que a juventude seja portadora do futuro. A juventude dos anos 60 foi uma tradução dessa visão. Onde se pedia que a juventude fosse rebeldia, revolução, ativismo, contestação, questionamentos da cultura dominante.

Visão da juventude como problema de desenvolvimento
1. Visão vinculada às políticas publica de juventude como problema de desenvolvimento: desemprego, consumo de drogas, gravidez na adolescência, migração, baixa educação, casamento. Tem como finalidade integrar os jovens na sociedade.

Juventude e gerações
1. Situa os jovens a partir de acontecimentos históricos significativos em uma época e que pode ser comparada com outra época. Daí certos conceitos distorcidos: geração pedida, geração X, geração cética, geração da rede. Atribuem aspectos homogeneizadores características comuns a todos que formam uma mesma geração do momento.

Juventude como construção Sócio-cultural
1. Parte da idéia de que a identidade juvenil resulta de processos de construção sócio-cultural como expressão dos jovens. Combinam análises das relações de poder entre o gênero, sexualidade, raça e idade. Valenzuela fala da condição juvenil como categoria, como construção sócio-cultural historicamente definida, situadas, com caráter mutável e transitório de disputa e negociação da representação dos jovens. Em sua construção as identidades incluem autopercepções, símbolos de pertencimento. Carlos Feixe trabalha na perspectiva das culturas juvenis como experiências coletivas dos jovens a partir de estilos construídos no tempo livre ou institucional. Segundo ele a juventude é vista na sociedade como processo de emancipação da família e construção da identidade própria firmada pelo trabalho.

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DESSES DISCURSOS
 Nenhuma instituição social produz um discurso neutro sobre juventude. Todos levam, implícitos, diversos elementos valorativos sobre a população jovem.
 Esses discursos institucionais disputam o privilégio de definir a juventude, através do estabelecimento de critérios do "dever ser" das pessoas jovens.
 Os discursos das diferentes instituições se relacionam, se complementam e, freqüentemente, são contraditórios entre si.
 Essas contradições estão presentes, também, na forma como as pessoas jovens, concretas, vivem suas juventudes e vêm a si mesmas.
 Esses discursos implicam sobre as juventudes pelo fato de serem vítimas de violência como método corretivo, de abuso, no âmbito do trabalho, por serem sub-contratadas e mal pagas.
 Limitação na definição de seus estilos de vida, no exercício de seus direitos e da participação nos processos de tomada de decisões.
 Intolerância e a incompreensão produzida pelas instituições diante das diferentes expressões juvenis, pois essas são interpretadas como ameaça.
 Discriminação e na violência que são legitimadas como mecanismos "necessários" de controle das pessoas jovens.

QUE CARACTERÍSTICAS POSSUEM TAIS PERSPECTIVAS?
 São homogeneizadoras: Assumem que as pessoas jovens têm características, necessidades, visões ou condições de vida iguais e, portanto, homogêneas.
 São estigmatizadoras: A partir de certos estereótipos e preconceitos estigmatizam as pessoas consideradas como jovens, ou "certos tipos de jovens", impondo-lhes aspectos freqüentemente considerados negativos.
 São adultocêntricas: Em uma cultura adultocêntrica o poder e muitos recursos relacionados com a condução da vida social estão centrados nas pessoas adultas médias, por esse motivo estão em uma situação de dominação com relação aos demais: crianças, jovens e, inclusive, pessoas adultas idosas.
 O parâmetro de validade de muitas ações dirigidas à população jovem ou as próprias ações realizadas pelos e pelas jovens são legitimadas a partir do mundo adulto.

A PERSPECTIVA DE CONSTRUÇÃO SOCIAL
 Nas últimas décadas vem sendo realizada uma leitura histórico-critica das perspectivas "tradicionais" sobre a juventude, recuperando a experiência de outras populações que enfrentam diferentes condições de marginalização, tais como: as mulheres, as pessoas afrodescendentes, os povos indígenas, lésbicas e gays, entre outros.
 Essa leitura marca-se por uma visão: compreender que o gênero, a juventude, a etnia, a orientação sexo-afetiva, entre outras, implicam condições sociais que não são "naturais" ou estáticas, mas sim construções sociais.

PERSPECTIVA DE CONSTRUÇÃO SOCIAL SOBRE JUVENTUDE
 Que a juventude é produto da interação entre as condições sociais e as imagens culturais que cada sociedade elabora, em cada momento histórico, sobre esse grupo social.
 Que a juventude não é algo "natural", estático, não é algo dado, mas que permanentemente está sendo construído e reconstruído historicamente.
 Que cada sociedade define "a juventude" a partir de seus próprios parâmetros culturais, sociais, políticos e econômicos.
 Assim, não há uma definição única do que é a juventude e, portanto, as perspectivas tradicionais e os discursos institucionais sobre a juventude podem ser transformados, podem ser desconstruídos e reconstruídos.
 Tais identidades são produto de uma tensão permanente entre as representações dominantes sobre o que "deve ser" a juventude, produzidas de fora da perspectiva jovem e aquelas elaboradas pelas próprias jovens. São modificáveis, transitórias e construídas dentro de redes de relações de poder.

CONCEITOS CENTRAIS NESTA PERSPECTIVA:
 Não há "JUVENTUDE", mas "JUVENTUDES": ou seja, um grupo social que pode ser categorizado a partir de diferentes variáveis (demográficas, econômicas, culturais, etc.);
 Entende-se como "JUVENIL" as produções culturais e contra-culturais que estes grupos sociais desenvolvem ou inibem em sua cotidianidade (também são conhecidas como culturas juvenis).
 AS IDENTIDADES JUVENIS são marcos simbólicos pré-existentes e já existentes que permitem que as e os jovens se reconheçam e se façam reconhecer como diferentes dos outros. Tem uma duração fixada no tempo e no espaço e varia em cada cultura e em cada época.